Segunda-feira, Junho 01, 2009
O retorno
Aqui estou, caros leitores, de volta ao blog. Resolvi colocar esse espaço on line pra funcionar no ano de 2009. Então vocês terão novidades aqui em breve. Meu cadastro globo foi atualizado e agora o blog está com muito mais segurança. Em breve, teremos textos sobre música, filme e entretenimento.
postado por: CRISTIANE FERNANDES 4:59 PM
Quarta-feira, Outubro 29, 2008
A geração beat
Já ouvi muito acerca da geração de 40, a geração do jazz, dos carros envenenados, do sexo, das drogas. Mas um livro que representa o espírito desenfreado dessa geração é nada mais nada menos que "On The Road". Há muito tenho feito experimentos na sala de aula, como professora de inglês, injetando um pouco da literatura americana nos meus alunos. E algo que me deixou perplexa foi o fato de um aluno ter se empolgado excessivamente por Jack Kerouac e seus amigos. Tive receio de usar o 'On the road' já que é um livro politicamente incorreto. Porém, o que se pode tirar desse livro é exatamente esse sentimento de querer simplesmente fugir sem ter motivo ou direção. O fato de a geração beat andar errante, comemorar e viver a vida sem motivo é o que mais representa a certeza dessa geração. E não é para menos que a nossa se identifique com eles. Dean Moriarty é tão atual que muitos jovens se vêem na pele desses anti-heróis.
Em outro livro como "Os subterrâneos", vemos um Kerouac mais espontâneo e cheio de paixão pela sua negra "Mardou" e ainda cheio de irresolução em volta dos amigos de bebedeira. No "livro dos sonhos", os mesmos personagens de On The road e "Os subterrâneos" reaparecem assumindo outros personagens na brincadeira de troca de nomes que Kerouac costumava fazer.
A L&PM Pocket lançou também uma peça teatral, inédita, de Kerouac chamada de "Geração Beat" onde ele mais uma vez escreve sobre a geração de 40 de boêmios que apostam em cavalos e bebem com os amigos.
E temos também "O primeiro terço" de Neil Cassidy (Dea Moriarty), o herói de "On the road", onde ele mostra sua infância nos bairros pobres dos Estados Unidos. O livro contém também cartas escritas ao seu velho chapa, Kerouac, e alguns textos sem conclusão, já que o velho Neil morreu antes de poder continuar a escrever deixando apenas esse livro.
Há tantos personagens verídicos nos livros de Kerouac que o leitor se encanta da primeira olhada. Mesmo se não há pontuação, mesmo se não vemos lirismo. Nos encanta pelo fato de ser o que é. Pessoas como nós, com defeitos e atitudes espontâneas. A geração sem hipocrisia. Se você gosta de algo verdadeiro, leia Kerouac e não esqueça dos amigos dele!
postado por: CRISTIANE FERNANDES 5:59 PM
Quinta-feira, Maio 22, 2008
The story of an artist
É difícil entender um artista, seus dramas, sua loucura. Acredito que com o documentário "The Devil and Daniel Johnston" (2005), de Jeff Feuerzeig, muitos vão entender um pouco do universo de um artista. Se tem alguém que deu tudo de si pela própria arte este foi Daniel Johnston.
Músico e desenhista, ele tem várias facetas. Muito criticado pela família, Daniel não se sentiu intimidado a deixar seus dotes artísticos de lado. Seu primeiro álbum fora lançado, gravado e divulgado por ele mesmo. Ele simplesmente pegou uma fitinha e gravou em casa suas músicas. A primeira fita cassete de muitas seria intitulada de "Hi How are you?". A capa teria um simpático sapinho desenhado por ele mesmo.
Depois a MTV o descobriu e ele passou a ser um ícone da cena underground de Austin no Texas. É o tipo de música que vem de dentro, Daniel mostra em suas composições todo o seu drama de ser um bipolar e um maníaco depressivo, também por ter tido amores somente platônicos e por ter sido incompreendido pela família. Como era um fã de Beatles, Daniel arriscava uns experimentos musicais baseados na fase mais psicodélica da banda britânica. Com isso, ele acabou criando sons Lo-fi, letras até nonsenses com a voz de sua mãe brigando ao fundo. É impossível enquadrá-lo em um estilo musical porque Daniel usa um pouco de toda sua influência músical.
Atualmente ele continua vivo fazendo exímias composições. Não dá para expressar o valor que ele tem na música e na arte por palavras, sua música e seus desenhos dizem tudo. Aos meus olhos ele é um louco, adorável, inocente, delinqüente, insano, torturado, rabiscado, com piano, com violão, desafinado, afinado, coerente, incoerente, fanático, um pouco demônio, um pouco Jesus, vagabundo, trabalhador e...um gênio.
postado por: CRISTIANE FERNANDES 9:27 PM
Quinta-feira, Abril 10, 2008
Qualquer letra
Sim, a maior parte do tempo gastamos com coisas inúteis. E quando não, passamos a maior parte do dia trabalhando. Essa é a arte de dançar de acordo com a música.
Nossas crenças sobre um mundo mais humano e social acabam sempre desabando em nossas cabeças, então acordamos para a realidade crua e fria. Essa nos diz que devemos conseguir um lugar ao sol, do contrário seremos dignos de pena, ou de críticas. E sabe, eu danço de acordo com essa arte, a arte de sobreviver. Porque a de viver é fácil, mas a de sobreviver é muito mais árdua.
Às vezes, fica bem mais difícil quando você não consegue pegar a mão nessa receita de bolo. Toda vez que tenta fazer, a massa do bolo sempre desanda. E quando consegue, o bolo fica duro ou liguento.
Não vou mostrar como se livrar desses problemas, porque eu também não sei. Só sei que a sobrevivência é uma eterna arte, de alguma forma vamos ter que ser reconhecidos. Nem que seja postumamente.
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Queres exprimir opinião? Críticas? Sugestões?
Envie um e-mail para
cafeeletra@gmail.com.
Quem sabe a gente não marca um cafezinho?
postado por: CRISTIANE FERNANDES 10:07 AM
Domingo, Abril 06, 2008
Música para tomar café
Sei que muitas pessoas que ouvem essa banda (e as futuras que irão ouvir) pensam logo em
Bob Dylan quando
Ian Town adentrar os ouvidos. Claro que aqueles que nunca ouviram Bob Dylan vão observar essa banda com outros olhos.
Independente disso, os
Felice Brothers têm ares diferentes do folk. As letras são sentimentais, falando de mulheres e amores, bem simplistas. Mas, o que essa banda tem de tão mágico? Só ouvindo. E ainda assim não irá descobrir. Eles são apenas caipiras que fazem música como ninguém e são capazes de tocar, para pouco menos de dez pessoas, ao redor de uma fogueira.
Ian Town começa com "you're all around", com gaitas chorosas e você já deseja, fervorosamente, vê-los ao vivo. São frases que não saem da cabeça.
"Your eyes dart around, fall on the ground"
Quem ouve quer ouvir o álbum até o fim e mais tarde ouve inúmeras vezes o mesmo álbum, seja tomando café quando está chovendo, seja quando está se sentindo carente ou até muito alegre.
Um lindo trabalho que o ouvinte não deve ouvir por ouvir, deve-se sentir a essência do bom e puro folk de estrada. Mas, se você for alguém que não se admira com pequenas e simples coisas da vida, talvez não goste. Pois o pré-requisito para ouví-lo é pureza de alma e humildade de coração.
postado por: CRISTIANE FERNANDES 10:33 AM
Terça-feira, Fevereiro 12, 2008
Café com poesia
Poemas além de servir para análise, servem também para apreciação. Achei na internet um poema muito relevante do Pablo Neruda que nos traz uma constante reflexão sobre o tempo:
O que mata é ver que tudo muda a cada milésimo de segundo.
Éramos fortes, bravos, invencíveis.
Mas o tempo é um grande inimigo.
Aos poucos ele mata tudo que idealizamos
e no final a realidade espanca nossos planos.
Hoje somos apenas indivíduos conformados com o tempo.
Pablo Neruda - Inconformado tempo
Também recitei para alguns colegas. Eis os comentários:
"Achei bom, reflexivo direto. Aliás, acho que tudo dele é bem direto, sem grandes abstrações.". Olivia
"(...)e eu achando que ele escreveu isso na época do canto geral... na ditadura". Lídia
"Porra, o Neruda e foooda! Achei bonito, mas não me fale em tempo... e tô me achando velho, barrigudo." Breno
Para bons entendedores de Neruda, esse é um poema brilhante, objetivo, genial,
foda, mas é preciso dizer a verdade. Sinto decepcionar vocês, mas esse poema não é de Pablo Neruda, é de
Cristiane Fernandes.
Abram o olho com a internet. Eu não fui a primeira a fazer isso. Vocês se lembram de um vídeo com um palhaço, e uma orquestra ao fundo, recitando algo como:
(...)Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança; aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Esse vídeo do palhaço é bem popular nas reuniões de empresas para motivar os funcionários. Vendo esse vídeo, em uma reunião de empresa, achei algo "auto-ajuda" demais. Porém fiquei intrigada ao ver que no final tudo isso foi escrito por
William Shakespeare. O pouco que eu conheço de Shakespeare me dá a mínima capacidade de perceber que esse texto não tem nada a ver com qualquer coisa que ele tenha escrito. Desculpe destruir seus sonhos sobre essa reflexão, intitulada de
O Menestrel, mas isso não é Shakespeare nem aqui nem na China. Esse videozinho andou bolando em meio a "You tube" e "orkut". O nome do palhaço, quero dizer o artista que recita, é
Moacir Reis e o vídeo foi retirado do CD de recitais intitulado "O importante é saber compreender". E ele explica que o texto é um
Apócrifo atribuído a Shakespeare. Traduzindo: a autenticidade é duvidosa. Há quem diga que o nome do texto não é “O Menestrel” e sim “Depois de um tempo” (After a while), de 1971, e quem escreveu foi, na verdade, uma tal de Veronica Shoffstall.
Portanto, tomem cuidado com slides com poemas atribuídos a escritores famosos. O poema que você achou lindo pode não ser de um autor famoso, mas de um anônimo querendo promover seu trabalho. É há também outras pessoas que acham poemas e crônicas sem autor e resolvem colocar um autor famoso qualquer e encaminhar via e-mail, talvez porque o nome dá credibilidade ao trabalho.
Mas vamos dar uma forcinha ao trabalho do João Ninguém também, oras.
postado por: CRISTIANE FERNANDES 9:31 AM
Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008
Qualquer Letra
Não tenho dinheiro, nem recursos, nem esperanças. Sou o mais feliz dos homens vivos. Há um ano, há seis meses, eu pensava
ser um artista. Não penso mais nisso. Eu sou.
Henry Miller - Trópico de Câncer
Deveriam saber que há vários tipos de artistas. Todo mundo pensa um dia em ser artista. Fama, dinheiro,
glamour, todo mundo pensa nos privilégios que o mundo das artes pode nos proporcionar. Mas têm artistas que preferem a própria decadência. Fazer arte por fazer arte, mas não ser um artista com todas aquelas frescuras do mundo em sociedade. A arte é a vida e para fazer arte precisamos colocar a vida no que fazemos. E muitas vezes estamos destruídos por dentro porque o luxo e as coisas materiais cansam rápido, é aí que temos duas escolhas: desfrutar, nadar na merda ou se excluir. E na maioria das vezes não queremos nadar na merda, porque somos prostitutas, fazemos arte para viver e para ganhar. Essa busca incessante por coisinhas que todo mundo tem é involuntária porque crescemos para sermos da vida.
Somos putas, putas que fazem arte.
E quando nos excluímos da merda do "padrão" acabamos por nos tornar viciados em algo que seja padrão. Viver é um vício, suicídio é escolha. Poucos foram aqueles que se excluíram sem culpa. E muitos foram os que se excluíram porque estavam controlados pelo próprio vício. Os únicos que se excluem do mundo artístico sem dor, sem sofrimento são chamados de loucos.
Louco não é alguém que queima dinheiro. É o artista, que se exclui da arte, sem culpa.
postado por: CRISTIANE FERNANDES 4:41 PM
Sábado, Fevereiro 09, 2008
Convite
Convido os Senhores e as Senhoras a tomar um café hoje. Café com muito açúcar, alguns vícios, ninguém é de ferro. Mas café é de cafeína. Café descafeinado não é café. Cerveja sem álcool não é cerveja. Assim como conversas sem discussões não são conversas. E é claro que notícia sem polêmica não é notícia.
Sente-se, pode ser no chão, confortavelmente, pode ser na cama, para conversarmos, pode ser na rua, algo interessante, pode ser no bar, que nos faça, pode ser na sua casa, não pensar, pode ser no parque, que estamos pensando, pode ser em qualquer esquina.
O que importa é que você me ouça e discorde.
...
OFFPOST: Nem sei, mas sou como a Gertrude Stein: acho tão lindo colocar tinta na pena e fazer com que as letras apareçam no papel. Quero me sentir assim a cada digitada desse teclado. Acho tão bonito ver essas letras aparecendo aparecendo aparecendo aparecendo.
postado por: CRISTIANE FERNANDES 8:37 PM
Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008
E uma vez o homem conseguiu transpor pensamentos através das letras. E assim criou outras formas de comunicação. Pintar, cantar, tocar, falar, escrever, gesticular. Seria o início de uma grande evolução e o começo de muitos problemas.
postado por: CRISTIANE FERNANDES 7:17 PM